A sua Personalidade e a Qualidade do seu Orixá


Você já deve ter ouvido falar que os filhos de Ogum tem uma personalidade assim ou assado enquanto os de Xangô são de outra forma. Isso se complica mais ainda quando paramos para pensar sobre as qualidades dos Orixás que temos no Candomblé aqui no Brasil. Para entender de onde surgiu esse conhecimento e a que se refere vamos falar de Nigeria, Pierre Verger e psicologia.

Orixá na Origem


A crença nos Orixás tem origem na África, como todos sabem, em uma região que hoje abarca a Nigeria e parte de Benin e Togo. Essa fé é baseada em ancestrais notificados e forças naturais deificadas. Em uma sociedade organizada por tribos, é natural que os fundamentos religiosos tenham características mais adaptadas aos interesses regionais. Daí surgem epítetos, poderes e responsabilidades diferentes para um mesmo Orixá cultuado em diferentes tribos.
Dois fatores surgiram para uma nova visão a respeito do Orixá: a modernidade e a imigração. Logicamente que a escravidão foi o fator mais tenso para a manutenção da fé nos Orixás. Uma vez que não se tinha as mesmas possibilidades de culto que havia na África.
Em terras africanas os devotos se consideram filhos de sangue do Orixá que eles cultuam. Podendo se iniciar em outros também, conforme a necessidade. Há muitas cidades nas quais a pessoa pode se iniciar no Orixá que quiser. Tendo pessoas que trazem consigo um hall de mais de cinco divindades.
Portanto, na origem da fé nos Orixás não existe o entendimento de qualidades. Assim como não tem a ideia de que as divindades podem interferir na personalidade da pessoa. 

Pierre Verger


O livro "Orixás", escrito por Verger, fala sobre as qualidades dos Orixás e as características dos filhos de alguns. A partir da disseminação deste livro, este conhecimento se solidificou a tal ponto que até quem é de Umbanda ou quem não é de fé Afro,assumiu essa verdade.
Vou transcrever aqui dois parágrafos do citado livro para que a gente possa entender bem do conceito:

"Os arquétipos de personalidade das pessoas não são tão rígidos e uniformes como os descritos nos
capítulos seguintes, pois existem nuances provenientes da diversidade de qualidades atribuídas a cada
orixá. Oxum, por exemplo, pode ser guerreira, coquete ou maternal, dependendo do nome que leva.
Como veremos, diz-se que há doze Xangôs, sete Oguns, sete Iemanjás, dezesseis oxalás (na África
eles seriam cento e cinqüenta e quatro), tendo cada um suas características particulares. Eles são,
segundo os casos, jovens ou velhos, amáveis ou ranzinzas, pacíficos ou guerreiros, benevolentes ou
não.
Brasil, além do mais, cada indivíduo possui dois orixás. Um deles é mais aparente, aquele que pode
provocar crises de possessão, o outro é mais discreto e é assentado, fixado, acalmado. Apesar disso,
ele influencia também o comportamento das pessoas. O caráter particular e diferenciado de cada
indivíduo resulta da combinação e do equilíbrio que se estabelecem entre esses elementos da
personalidade."

Então vimos que a compreensão de arquétipo da psicologia foi empregada na comparação entre os Orixás e seus filhos brasileiros. Ainda mais que o sentido de filiação em nossa terra é menos genética e mais simbólica. Às características passaram a ser consideradas apenas pela personalidade e hábitos do devoto.

É libertador acreditar que se é, pelo menos, parecido com seu Orixá. Uma vez que seu Orixá pode ser um rei ou rainha, herói ou heroína, sábio ou sábia. Passa a ideia que essas qualidades e poderes do Orixá automaticamente é adquirida pelos seus filhos. Antes se imaginava que isso ocorria pela iniciação ao Candomblé, mas hoje em dia se entende que o Orixá é como um signo que basta você nascer filho dele para receber suas características.

Psicologia do axé

Carl G. Jung é um dos pais da psicanálise e formou uma nova forma de pensamento nessa área. Dentre outras coisas, formulou o conceito de arquétipos.

Jung dizia que os arquétipos são uma herança psicológica, ou seja, resultam das experiências de milhares de gerações de seres humanos no enfrentamento das situações cotidianas.

As imagens dos arquétipos são encontradas em mitos, lendas, na literatura, nos filmes e até mesmo nos nossos sonhos. Logo não foi difícil enxergá-los em nossos amados Orixás.

O Candomblé passou a ser estudado pela Academia e, até certo ponto, o crescimento do número de devotos ávidos de conhecimento gerou filhos de santo que aprendiam com os livros. Nesse momento perdemos a noção do que poderia ter sido a compreensão anterior a esses estudos, pois o que começou a ser certo era o que os livros diziam.

É verdade que foi sendo adaptado um conhecimento novo a partir da percepção dentro dos terreiros também. Onde algumas pessoas assumiam o papel e a aparência de um filho desse ou daquele Orixá. Mas isso não responde certas perguntas primordiais como a sorte no casamento ou na profissão. E quando se olha para a África, toda essa ideia é contestada. Para manter a ideia de filho de Orixá ser de tal jeito devido sua filiação divina é necessário um rebolado argumentativo ou assumir que a religião do Brasil não é o que se pratica na África.

Se você pensa diferente eu gostaria muito de saber o que você tem a dizer. Você acredita ou não que o Orixá define como uma pessoa é em sua vida?


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