O Anjo de Deus e a Bruxa.

Anjo de Deus e a Bruxa

Em vários livros, postagens nas redes sociais e púlpitos de igrejas é exposto que as bruxas e outros representantes populares da magia são contrários aos desígnios do Deus cristão e que os Anjos estão fazendo isso ou aquilo para evitar ou guerrear contra os "poderes do mal".

Nesta postagem você saberá um pouco do uso dos anjos na magia e o motivo de hoje se falar que essas duas forças são antagônicas. Ao final, como bônus, será ensinado um jeito simples de se cultuar o anjo da guarda.

Quem começou a guerra?

É normal justificar uma contenda começando por dizer quem começou. O problema é que nem sempre é uma coisa tão fácil de se dizer. Mas nesse caso é sim. Os anjos têm origem na cultura judaica e tem algumas referências bem interessantes sobre eles na Bíblia. No entanto a cultura e tradição da crença nos anjos estão fundamentadas em textos que vão além dos canônicos e também nos não escritos.

Ao analisar duas visões acerca dos anjos na cultura judaica pode-se observar que uma fala sobre não haver possibilidade de contato com esses seres astrais. Pois apenas Deus teria acesso a eles dando-lhes ordens para que sejam cumpridas na Terra. A outra ideia é que os anjos são formados por união de algumas letras do alfabeto hebraico e por esse caminho se pode alcançar a força deste ser divino.

Percebe-se, por tanto, que uma visão anula a seguinte. Os cristãos já não eram mais tão próximos da cultura judaica quando a Magia dos Anjos entrou em seu rol de práticas e a sua principal função era a de evitar que as magias de outras culturas os afetasse, já que sua tendência expansionista causava este tipo de atrito.

Um exemplo que podemos dar, mas que devemos lembrar que apenas é uma suspeita impossível de se ter certeza, é São Patrício que guerreou junto aos seus contra os druidas da Irlanda. Esta guerra não é só física. A magia também foi usada. Assim também ocorreu em vários lugares pelo mundo. O que há mais documentário é a caça às bruxas que começou na Idade Média e vigorou por longos séculos. Com momentos mais intensos e outros mais tranquilos, mas sempre ocorrendo.

A Caça às Bruxas

Bruxa dominando o leão

É interessante a gente entender que o ser humano aproveita da situação para fazer suas maldades. Com isso, muitas mulheres que não tinham nada a ver com o trabalho com ervas e conhecimentos ancestrais morreram também, mas vamos focar na busca por acabar com a "magia democrática". Um dos princípios da Igreja Católica que foi até mesmo um dos motivos do protestantismo é a total dependência que o fiel deve ter dos poderes espirituais do clero. Apenas poderia ser alcançado a divindade se fosse por meio de um padre.

Quando a Igreja se deparou com culturas mais horizontais, no qual o conhecimento era mais disseminado, a ideia foi condenar uma figura imaterial e com um conceito tão novo que pudesse ser realocado para qualquer necessidade que houvesse. Nisso criaram a figura do Diabo. Com este trunfo em mãos, a Igreja podia acusar quem ela quisesse. Os magistas da época começaram a incluir este conceito em suas práticas e vários grimórios foram produzidos com os relatos e ensinamentos do uso das forças do bem (anjos) e força do mal (demônios).

Livros e pessoas foram queimados desde então em nome desta luta inventada por quem queria poder. Era tão descarado a forma como agiam renegando a magia dos outros e aceitando a deles que no Livro O Martelo da Bruxa, que se trata de um manual de como encontrar e punir bruxas, há a orientação de que se um mago usar de seus poderes para encontrar e denunciar uma bruxa, ele não deve ser julgado por suas práticas de magia. Isso é nossa história.

A resistência.

A mulher e o leão

Uma das coisas que não se pode dizer a respeito de parte da humanidade é que ela não luta pela sua liberdade. Nesse caso estamos falando de um poder pessoal. A possibilidade de chegar até seus ancestrais, suas divindades, de experimentar o prazer do contato com a espiritualidade e também de resolver seus problemas. Mas, principalmente, o de pensar por si e questionar.

O mesmo fator que gerou a ciência também mantém a magia até os dias de hoje. O homem, como espécie, não foi feito para aceitar a mediocridade da falta de ação. Muitas vezes o que se faz necessário é apenas a reflexão para manter um caminho saudável e sustentável. Vide a natureza como está. Mas, por hora, o que podemos relatar é que em cada rezadeira, pai de santo, religiosos new-age e magistas, há uma bruxa que já foi queimada um dia. Elas resistem em todos nós.

Hoje a magia com Anjos que eram apenas dos clérigos está nas mãos de quem quiser acessar. A magia dos demônios também, mas isso é assunto para outra postagem.

Bônus:

O catolicismo popular é um dos ingredientes da atual Umbanda, isso é inegável. Por isso algumas crenças foram integradas e estão disponíveis para uso até hoje. Caso você quiser entrar em contato com seu anjo da guarda para pedir proteção, orientação ou benefício para a sua vida, siga o passo a passo abaixo e tenha muito axé na sua vida.

Ingredientes:

  1. Vela branca de sete dias.
  2. Mel
  3. Papel e lápis
  4. Pires
  5. Copo com água

Modo de fazer:

Escreva seu nome sete vezes no papel e ponha sobre o pires. Lance mel sobre seu nome e ponha o copo com água por cima. Acenda a vela e deixe bem seguro de forma que não traga risco para a sua casa. Procure deixar em um lugar acima da sua cabeça que não seja banheiro ou sobre a geladeira. Faça suas orações constantemente. As orações podem ser com suas próprias palavras ou alguma que você já conheça.

Esta postagem é dedicada à minha bruxinha do meu coração, minha esposa, Manu.

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